Defensivos agrícolas: Sabe o quanto você perde?

Em uma lavoura, dependendo da região brasileira, o custo com a compra e a aplicação de insumos como defensivos agrícolas e fertilizantes pode ser superior a 86% do custo total da safra, o que significa uma quantidade imensa de dinheiro que o agricultor precisa gastar todo ano.

Deste custo total, mais da metade é relativa à compra e aplicação de defensivos na fazenda, e a tendência para os próximos anos é de que, com o aprimoramento e a crescente segurança dos produtos químicos, os custos aumentem cada vez mais. Segundo a Aprosoja, nos últimos 4 anos, o preço do defensivo subiu 100%, o das sementes 47%, e o dos fertilizantes 16%.

Este custo reflete nas estatísticas – segundo o Dossiê Abrasco, o Brasil é lider em consumo de defensivos agrícolas no mundo, mas é também o maior exportador de carne bovina, o 3° maior exportador agrícola do mundo (estima-se que se torne o primeiro nos próximos anos) e o 3° maior produtor de grãos – ou seja, nós usamos muitos defensivos porque produzimos muito e precisamos cada vez mais aumentar a produtividade.

Mas estamos fazendo aplicação de defensivos agrícolas de maneira eficiente?

Dentro deste cenário, uma das maiores preocupações do agricultor é utilizar esta quantidade imensa de dinheiro da melhor maneira possível. Isto significa aplicar defensivos somente onde é necessário, na quantidade necessária, quando for necessário. Muitas soluções de agricultura de precisão tem surgido nos últimos tempos para auxiliar o produtor neste sentido. Porém, a perda de defensivos continua acontecendo.

Alguns dos erros mais comuns são: a escolha de produtos inadequados para controlar a praga; a falta de regulagem e a escolha inadequada do pulverizador e dos bicos de aplicação; e a limpeza e manutenção inadequadas do equipamento. Mas ainda mais importante que isso, o principal inimigo de uma aplicação continua sendo a atmosfera. Dinamicamente, duas coisas podem acontecer com o defensivo:

1 – Ser levado para a atmosfera por deriva ou volatilização. Isso geralmente ocorre quando há ventos intensos, umidade relativa muito baixa ou temperaturas muito altas;

2 – Ser levado para longe da área contaminada pela praga, em direção de águas em superfície (por escoamento superficial) ou em direção às águas abaixo da superfície (por lixiviação). Isso geralmente ocorre quando chuvas inesperadas atingem a plantação.

Existem boas práticas que ajudam o produtor a evitar perdas de defensivo, como pode ser lido neste artigo. O primeiro problema que citamos até pode ser evitado observando as condições meteorológicas e a previsão do tempo antes de pulverizar – mas a ocorrência de chuvas imprevistas antes da fixação do produto, que exige de 2 a 4 horas de tempo firme e seco para funcionar, continua sendo um mistério.

O prejuízo que as tempestades causam ao produtor

Utilizando um trator do tipo Uniport, já é possível aplicar defensivos agrícolas sobre 80 hectares por hora ou até mais. Isso significa que, não importa se o produtor está mantendo o equipamento em ordem e monitorando as pragas na fazenda através da agricultura de precisão, se ele iniciar uma aplicação, e uma hora depois uma chuva inesperada atingir a fazenda, 80 hectares de defensivos foram jogados fora por lixiviação ou escoamento. Duas horas, 160 hectares.

Fazendo as contas, é possível perceber que o produtor pode estar perdendo valores superiores a dez mil reais numa única tarde porque não sabia que uma tempestade podia atingir a fazenda. Já pensou em quantas vezes isso acontece numa única safra, e quanto dinheiro você pode estar perdendo todo ano? Isso sem contar que, como o defensivo foi levado pelas chuvas, as pragas vão continuar atacando a lavoura. Portanto, a produtividade final por hectare vai cair cada vez mais.

Por isso, todo dia sempre pairam as mesmas dúvidas na cabeça do produtor: Se o céu está escuro, será que vai chover mesmo? Se o céu está azul e claro, o que garante que uma tempestade não vai surgir do nada? Será que eu vou conseguir de fato controlar as pragas que estão atingindo minha plantação?

Existem maneiras de responder a estas questões e aumentar – e MUITO – a produtividade da fazenda, evitando grandes desperdícios de defensivos e economizando dezenas, talvez até mesmo centenas de milhares de reais todo ano, dependendo do tamanho da fazenda.